quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A fragilidade, a força e leve plágio.



Há momentos em que me convenço que sou mais forte por ser mais frágil. Como a história do capim e do carvalho... O capim aguenta a tempesetade porque se deixa derrubar por ela: vai ao chão e lá fica. O carvalho não se dobra, não se abate, e é arrancado do chão, morrendo depois que a tempestade passa.

Historinha boba, mas muito me serve pra entender meu jeito. Eu sinto dor, tristeza, sofrimento, mágoa. Até a última gota. Depois, levanto e vou beber alegria.

"Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria. Tenho todos os motivos menos um de ser triste, mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria..."

É, Bandeira, eu também não sei dançar, mas danço mesmo assim: se a banda toca um blues de machucar a alma, eu choro; se vem um samba, me sacudo. Quando a música termina, vou ler um poema...

Não imagino viver sem sentir com força: alegria, tristeza, entusiasmo, raiva, ternura.

Também não vou fingir um distanciamento e uma frieza que não estão em mim. Sim, eu choro. E rio. E beijo. E mando pro inferno. E também traduzo a ternura mais funda, mais cotidiana, em verbos que não existem...

Tem ternura mais funda do que a cotidiana? Não, não tem. O amor que se vive e se declara por qualquer motivo, sem razão e sem precedente, sem permissão e inconvenientemente - esse é o amor mais forte, que mais marca, o indelével.

Te amo, porque ouvi um sabiá às seis da manhã. Te amo, porque teu sorriso tem algo traquinas que me dá vontade de te encher de cócegas na barriga. Te amo, porque ouvir a tua voz acalma meu espírito. Te amo, porque deu vontade de dizer te amo. Não são razões para te amar; são razões para dizer.

Não é um jogo de merecimentos: não choro porque tu não me fazes feliz, choro porque estou triste! Não sorrio porque tu me alegras, sorrio porque estou contente! Não declaro o meu amor porque fizeste algo extraordinário, mas porque o cotidiano não me impede de te amar, e dizê-lo.

Isso faz de mim frágil e vulnerável? Faz.

Expectativas acontecem naturalmente e eu as tenho, mesmo que não as queira. Fico frustrada. Problema meu. Posso me abalar com o abandono, mas sou mais forte sendo fiel a mim mesma, na essência, do que fingindo não me abalar. Eu espero carinho, cuidado, proximidade. Não que me tenha sido prometido - não foi, nem será. Mas espero, desejo, quero. Se não vem, dói, claro...

Aprendi, porém, que é mais fácil matar um amor que vivi (eu, singular) em tudo o que podia, nos altos e nos baixos, do que aquele que poderia ter sido mas nunca chegou a ser.

A tempestade me derruba, mas não me mata. "Teadoro", mas "Merrecupero".

2 comentários:

Teórico disse...

A tempestade passa e leva tudo o que não presta!


Bom texto!


beijo

Anônimo disse...

Amei esse texto