- Que saudade do tempo em que as empresas nos procuravam pelo correio. Tão menos invasivo! Comprei celular pra ter um meio de me comunicar com minha família e amigos, não pra receber telemarketing. Celular é pessoal, não é uma porta aberta pra que nos empurrem coisas que não queremos e não pedimos.
- Como diabos uma aluna arranjou o número do meu celular? Quem forneceu meu telefone pessoal aos alunos? Eu me comprometi a manter contato com eles em nível profisional: nos horários em que estou no campus e, por boa vontade minha, via e-mail. Dar o meu celular é o auge do desprezo pela minha privacidade.
- Que mania desagradável as pessoas têm de pular a formalidade e agirem como se tivessem intimidade com a gente. Telefonar pro meu número e já ir perguntando se quem atendeu fui eu não é uma postura polida, pelo mínimo. O que houve com o "Bom, dia, meu nome é Fulana, falo pela empresa Tal e preciso conversar com a Sra. Cibele, é possível agora ou devo retornar em outro momento"? Já que vão invadir a nossa privacidade, o mínimo que as empresas poderiam fazer é treinar os funcionários para que o façam de maneira educada, tentando não ser inconvenientes...
- Eu não me identifico pra desconhecidos de jeito nenhum. Prefiro passar por grossa e arrogante a sair dando informações. Infelizmente não dá pra confiar nem nos conhecidos, quem dirá nos desconhecidos. Sim, a que ponto chegamos.
- Por que as empresas bloqueiam seus números para o identificador de chamadas da gente? Será que é pra que elas não recebam chamadas indesejadas de volta? Será que elas também não gostam de atender chamadas que não são de seu interesse?
- Vamos tentar não enganar os consumidores com propostas de falsa gratuidade? "Benefício financeiro" o escambau, "não ter que pagar nada" coisa nenhuma. Será que eles não sabem que mentir é feio? E que mentir pro consumidor dá processo? Fazfavor!
- Antigamente, a gente tinha um controle maior do próprio tempo. As pessoas entravam em contato nos oferecendo ou nos pedindo coisas com respeito pela nossa disponibilidade. Ao receber uma carta comercial, você a lê e retorna quando e se pode.
- Antes do celular e do e-mail, as exigências do trabalho se limitavam às horas que você vendia ao seu empregador. Hoje você é obrigado a conferir seu e-mail constantemente, para não perder nenhuma informação, e tem que dar retorno imediato. Pelo celular, você está disponível em qualquer lugar e horário: inclusive na noite de sábado, quando sai pra jantar com o namorado.
Eu não acho, tenho certeza: essa modernidade escravizadora e invasiva não vale a pena.







