quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Conselho para uma amiga em aflições amorosas


Vamos parar com a mania cultivada dos joguinhos! Vamos parar de fingir não nos importarmos, ou de simular indiferença... Vamos parar de nos fazer de difíceis! Droga, droga, droga! Joguinhos cansam tanto!

“Ai, tu nem me ligaste, mas tudo bem, eu estava ocupada mesmo...” Pára! Assume: “Esperei teu telefonema, sentada, do lado do telefone, até minha bunda ficar quadrada.”

E, quando o teu protagonista responder com um “Ããããã, eu fiquei de ligar?” ou assemelhados, tenha dignidade e diga que não gosta de esperar. E que não vais ficar sempre à disposição, porque a fila anda, e o próximo pode estar pedindo a vez.

Se o protagonista se ofender, ou achar que estás atacando agressivamente, FUJA!!!

Quem se importa contigo te procura e, ao ser procurado por ti, te recebe bem. Quem tem boas intenções aprecia a tua sinceridade. Quem realmente está interessado corre atrás mesmo sem que tu te faças de difícil.

Não dá pra fingir que tu te valorizas, e ensaiar um olhar blasé de enfado quando, quase na flor da pele, estás gritando que qualquer gesto de atenção e carinho são avidamente esperados.
Ai, minha filha, faz favor!

Vamos ser honestas com as nossas expectativas, com os nossos sonhos de meninas, ou, pelo menos, com as vontades mais imediatas. Cansa muito se especializar em truques, manipulações e disfarces pros sentimentos.

Quem sabe a gente tenta a franqueza descarada, só pra ver o que acontece?

Do tipo:
“Hei, moçoilo! Estou interessada em compromisso. Quero envolvimento sério. Quero a casinha com janelinhas cortinadas, o casal de filhos, o cachorro labrador, os passeios de domingo, massagem nos pés e ouvir que sou linda quando acordo. Quero trabalhar, sair com as amigas pra dançar e ser independente, mas não abro mão de ter um companheiro amoroso, fiel, dedicado e leal. E, da próxima vez, não esquece de telefonar, ou eu vou achar que não estás em sintonia comigo e vou procurar outra freguesia.”

Não, isso não é uma ameaça. Estou só colocando em termos práticos o que a gente realmente quer, mas leva quase uma vida pra embandeirar. Assim, a gente elimina a perda de tempo e de água do corpo, fatalmente conexos à insinuações, indiretas, sondagens, esperas, investimentos unilaterais, frustrações, cobranças, gritos, bateções de portas e choradeiras.

E, pelo amor de Deus, nem pense em achar significado em todas as frases e olhares que o protagonista endereçar à tua pessoa. Homens não são capazes de elaborar frases com duplo sentido, a não ser em termos pornográficos. Muito menos olhares. Espichar de olhos para os seus seios e mão na sua coxa querem dizer que ele pretende te levar pra cama, não pro altar.

“Eu te amo” pode ser dito em diferentes graus de verdade, desde “Eu amo teus peitos” até “Acho que te amo nessa fração de segundo, mas não me responsabilizo pela próxima”.

Se estou sendo cínica? Ah, falemos muito sério: alguém pretende me contradizer?

Ainda, pra terminar: um canalha é um canalha. Ele não vai mudar porque te conheceu. Se tu pretendes terminar a história com um cara legal, melhor começar a história com um.

Um comentário:

Tita Aragón disse...

Estou tentandooooooooooooo!!!