sexta-feira, 27 de julho de 2007

Era o meu tornozelo...

Vinha eu, distraidamente (o que, em absoluto, é sinônimo de despreocupadamente, já que não existe nada que distraia mais uma pessoa do que seus próprios problemas), caminhando pela rua.

Estava lendo - enquanto caminhava - uma listagem de documentos necessários à minha contratação como professora universitária (finalmente a realização da minha maior ambição profissional), e tentando me entender num emaranhado de cópias autenticadas, certificados, históricos, diplomas, certidões negativas e positivas (o caos burocrático).

Não vi a falha na calçada, à minha espreita. Não vi o desnível bem debaixo do meu pé direito.

O pé, coitadinho, não encontrou o chão. Aterisou lá embaixo, no meio do buraco, e de lado.

Sim, eu estava usando o habitual salto alto (quem tem 1m e 62cm sabe da necessidade imprescindível de se usar salto alto - e esse foi um comentário fútil).

Ouvi um "cleck". Doeu. Não consegui mais apoiar o pé no chão.

Então, lá se vai uma atordoada Cibele, conduzida por um resignado namorado (parada na narrativa para agradecer a boa vontade e a paciência do namorado em questão: além de parar com todas as suas tarefas, o pobre ainda teve de me convencer a ir ver o médico), rumo ao Hospital de Pronto Socorro.

Dizem que o sistema público de saúde é um inferno - e eu não duvido, especialmente para quem trabalha nele - mas fui muito bem atendida, muito obrigada.

Nem bem chegamos ao HPS, um funcionário nos conduziu até a entrada para veículos, no pátio interno. Quando fui sair do carro, duas - não uma, duas - atendentes vieram me receber, perguntando o que havia acontecido comigo. Ao verem a esfera em que meu tornozelo havia se transformado, colocaram-me sentada em uma cadeira de rodas, e uma delas foi comigo, me empurrando, até a triagem. Em dois minutos, eu já estava de prontuário na mão, a caminho da sala de traumatologia. Um médico me atendeu, verificando o estado do meu combalido tornozelo com toda delicadeza. Dali cinco minutos, uma médica residente conduzia-me até o Centro de Diagnóstico por Imagem, para tirar uma chapa de RX. Quando o meu namorado conseguiu estacionar o carro e ir procurar por mim dentro do Hospital, eu já estava a caminho da imobilização do tornozelo, com uma bela entorse diagnosticada.

Em quarenta minutos já estávamos do lado de fora, prontos para ir embora, depois de nos despedirmos de todos os atendentes, que me desejaram melhoras e me recomendaram cuidado.

Não gastei um único centavo, e fui muito melhor atendida do que em diversas consultas médicas pagas pelo meu convênio de saúde.

Resumindo: a parte mais difícil do incidente todo foi estacionar o carro.

Meu muito obrigada, de todo coração, às pessoas que me atenderam e cuidaram do estrago feito pelo meu descuido comigo mesma.

E, enquanto fico de pé pra cima, vou aproveitando o chocolate quentinho que o meu amor me trouxe, pra ver se pára de doer um pouco (sim, dói pra caramba).

Fim da postagem.

Um comentário:

Clarice disse...

Melhoras!
Com esse frio (e um namorado assim) vou fechar os olhos enquanto andar por aí, pra ver se consigo esse tratamento.
Abraço.