sábado, 5 de julho de 2008


Eu bem me queixava de ter que viajar todas as semanas para ir a Erechim, a seis horas de distância de Porto Alegre, pra dar aulas na Faculdade Anglicana. Não que eu não gostasse de dar aulas, muito pelo contrário!!! Quando eu entrava em sala, até a dor de cabeça passava. Dar aula é a coisa mais maravilhosa do mundo (ali, empatadinho com estar com as pessoas que eu amo, comer, dormir e ouvir música). Agora, seis horas de viagem derrubam qualquer vivente...

Chegava em Porto Alegre podre de cansada e seguia direto pra minha aula no doutorado. Ritmozinho puxaaaaaado!!!

Faz dois meses que deixei essa rotina pra lá: estou com dedicação integral ao doutorado, vivendo de bolsa, ou, melhor, sobrevivendo de bolsa.

Porém, esse deslocamento todo tinha um lado muito bom, do qual sinto uma tremenda falta. Durante doze horas, todas as semanas, eu me sentava quietinha e sozinha num banco de ônibus, recostava a cabeça e ouvia minhas músicas preferidas. Fatalmente, o pensamento passeava por todos os cantos da cabeça, desde a reflexão sobre os fatos ocorridos até atrevidas previsões futurísticas. Puxa, como isso me fazia bem. Puxa, como sinto falta disso.

Não adianta tentar em casa. Sempre toca um telefone, sempre tem louça pra lavar, roupa pra dobrar, livro pra ler, texto pra estudar, filme pra assistir, supermercado pra fazer...

Talvez, aqui, escrevendo, eu possa recriar, em parte, aquelas horas de total abstração umbigocentrista... Mas escrever e pensar são coisas muito diferentes. No pensamento não se põe freio, ele vai pra onde quer... A escrita é controlada, policiada, vigiada pelo superego e pelo senso de estilo (ou da falta dele).

Essas horas de egolatria precisam voltar. Acho que vou retomar as corridas-caminhadas de início de dia, o que cumpriria muito bem dois papéis: colocar ordem no penso e desembarangar o corpitcho (o inverno e suas delícias andam fazendo um certo estrago, por assim dizer...).

Então, tá decidido. Passa pra cá os tênis e vamos organizar a cabeça.

3 comentários:

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SEM NOME disse...

A Cibele não sé escreve muito bem, como pensa muito bem. Com o coração. É essa emoção que deposita nas suas palavras que dão alma e vida ao texto e nele vejo a minha imagem.
Descobri o blog por acaso mas gostei muito. Muitas felicidades e continue a escrever, quem sabe mais e maior, porque acho que a sua escrita irá crescer muito.
Alimentea-a bem e ela será um adulto forte e feliz!
Boa sorte!
Helena

Cibele Cheron disse...

Obrigada, Helena!!! Vou me esforçar pra escrever mais, sim, ainda que, às vezes, o pensamento seja tão confuso que não seja razoável materializá-lo...
Beijos!