sábado, 5 de dezembro de 2009

De perdoar

Essa coisa de perdão me incomodou muito por um tempo enorme.
Porque eu sempre achei que era muito simples: a pessoa fazia bobagem, me magoava, me prejudicava e depois vinha com cara de cachorro me pedir perdão. Aí, eu, na obrigação de ser boa, evoluída, mente aberta e sei lá mais o que, precisava perdoar.

Era só a criatura dizer "me perdoa" que eu era obrigada a esquecer tudo o que ela tinha feito de ruim pra mim, do tipo "zerar a conta".

Mas peraí! Não sou tão católica assim pra estar absolvendo o confessor arrependido! Não perdoo coisa nenhuma e pronto! Andei numa fase raivosa daquelas, mas fase vem e passa, né?

Não faz muito, eu descobri que a coisa pode funcionar diferente.

Hoje eu não olho mais perdoar como uma absolvição.

Quando eu perdoo, significa dizer: "olha, o que você me fez já não tem mais capacidade de me ferir". Antigamente, com mágoa e ressentimento, eu continuava dando às pessoas que me magoaram o poder de me fazer continuar sofrendo. Ficava remoendo o acontecido, me retorcendo e sofrendo o peso da injúria. Ou seja: a ofensa tinha efeito prolongado, e o meu "agressor" me atingia por todo esse tempo com aquele único golpe.

Hoje não. Quando pára de doer, eu perdoo.

Eu fico bem comigo e com o que aconteceu, mas a pessoa ainda vai ter que prestar contas do que fez - e isso não é comigo, é com Deus, o Universo, sei lá.

E também nao sou bocó pra dar a chance de me magoarem outra vez. Fico de guarda erguida, ah se fico! Ou simplesmente me afasto. Deixo de procurar, deixo de conversar, elimino a pessoa sem nem mesmo dizer pra ela que estou fazendo isso. Não precisa nem dizer o "não sou mais tua amiga" das brigas no recreio da escola.

Eu ando tão mais sã depois que passei a agir assim!

2 comentários:

Teórico disse...

Cibele, perdoar é esquecer. Partindo desse princípio, vc não perdoou quando ficava remoendo. Perdoar de verdade é o que vc faz agora. Deixa a poeira baixar, a mágoa sair e consegue olhar a cara da pessoa.

Eu eu perdoo, mas fico sempre retranca. Confiança pra mim, é como um copo descartável. Vc amassa, pode até desamassar, mas vai ficar sempre com as marcas...

Beijo

Cib disse...

Doc, permita-me discordar de ti. Aprendi que perdoar não é esquecer. É conseguir viver com a ofensa, sem que ela siga te limitando, te magoando, te prejudicando.
Eu não esqueci de muitas coisas que perdoei. Acho até que nem é possível esquecer, se de fato o que aconteceu me marcou. E guardar comigo não é necessariamente algo ruim. Aprendi que tudo o que nos acontece tem a nossa participação em alguma medida. E todas as cisas da nossa vida nos transformam em quem somos. Por isso, não esquecer é importante...
Mas com relação à confiança, assino embaixo.
Beijo e obrigada por ler o que eu escrevo!